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02/07/2011
O Brasil no Centro dos Grandes Espetáculos

O Brasil no centro dos grandes espetáculos

Publicado em 01 de julho de 2011 no site AdNews
 
Meu primeiro show internacional foi o Três Tenores, no Morumbi , em 22 de julho de 2000. Eu me lembro de que todos nós trabalhamos por até dois dias seguidos no estádio, sem voltar para casa. Tínhamos pouca estrutura e muita energia. Ali, fomos inseridos, definitivamente, no circuito internacional dos grandes shows de arena.
            
Desde então, foram quase 300 eventos de grande porte e muitas mudanças. A empresa responsável pela venda de ingressos online daquele show se transformou, pouco tempo depois, na Ticket Master, que hoje é a Tickets For Fun (T4F), uma empresa de capital aberto que traz espetáculos como U2 e Madonna ao Brasil.
 
Boa parte dos profissionais que trabalharam naquele dia continuam em atividade: alguns na T4F, outros que saíram de lá e contribuíram para a formação de grandes empresas, como a Ingresso Rápido e a Live Pass. Não há dúvidas, portanto, de que o grande show de 2.000 foi um marco que simboliza o nascimento do mercado de venda de ingressos dos tempos de hoje.
 
É fácil notar que o segmento de eventos de arena brasileiro viveu alguns grandes ciclos de mudanças e evoluções, começando pelo Rock In Rio de 1985, quando o formato de festivais internacionais se consolidou no País. O ciclo passou pelo show dos Três Tenores, o primeiro com venda online e plateia de 12 mil pessoas sentadas em cadeiras no gramado, e chegou aos dias de hoje. Madonna, em 2008, e U2, em 2011, representaram, cada um deles, novos ciclos de mudanças. 
 
No U2, pode-se notar a clara evolução da produção brasileira. Certamente, a experiência do público foi mais valorizada neste evento. Desde o som e o tão falado palco, até o merchandising, os alimentos, as bebidas, os camarotes, o atendimento e o acesso. Tudo foi muito melhor do que normalmente fazemos. 
 
De todo modo, ainda existem questões fundamentais a serem resolvidas e boa parte delas não diz respeito, exclusivamente, aos produtores. Um exemplo é o fato de que todas as nossas grandes arenas se vendem como estruturas próprias para receber milhares de pessoas.
 
No entanto, elas não entregam elementos estruturais básicos, como banheiros, energia elétrica, acomodações para as equipes de produção e estacionamentos. Outro fator que incomoda, e muito, é a ausência de um esquema eficiente de transporte público e táxi.
 
Cabe ao governo promover investimentos em segurança, aeroportos, infraestrutura de transportes públicos, além de incentivar mais a indústria hoteleira e a capacitação de profissionais na área. As operadoras de telefonia e internet também devem prestar serviços de tráfego de dados mais eficientes, ajudando-nos a resolver parte da vergonhosa dificuldade que temos em comprar ingressos pela internet.  
 
Sou favorável ao engajamento dos players do setor de eventos para que possamos discutir com o governo a criação, por exemplo, de leis e regulamentações especificas que passam pelas esferas fiscais e, principalmente, trabalhistas. Senão, corremos o risco de nunca nos tornarmos referência mundial no assunto.
 
Por André Bertolucci